Renascimento
Por não me olhares, invernei
Anoitessestes em mim
Ventei por muitas auroras
Tentando despir-me de ti
Destemporei, esvaziei
Mas quando me amei sol me fiz
Jasmim, meu aroma deixei
No teu labirinto sem fim
Manhei dengosa nascente
Ao garimpar nas lembranças
Teu ondular sonorante
A me banhar de acordes
Me enrubrecer, meio molente
Em cada instante inventado
A ser bem mais que o horizonte
Prismado sonho infinito
Vinhei-me dançante na vida
E Aluarada, sorri
Florindo-me lentamente
Amanheci
POEMA EM QUATRO LETRAS
Amor ao mar
Mão a mão
Ramo marrom
amarra o amor
rama rara
Aroma ao ar
Ara
Ora amo
ora morro
Raro amor
COTIDIANO
Olho de cobra, língua solta, mente, mente, som de sino, de sirene, bala voa, sabe lá
O riso frouxo, bate boca, pé descalço, luz vermelha, grito, grito, multidão, brilho do sol
Choro calado, suor, saliva, luz de vela, fumaça, pinga, pinga, batucada, giz no chão
Cara na cara, meio fio, dança, luta, beco escuro, corre, corre, violão, céu de luar
Faca afiada, mini saia, cão se dono, pega, pega, pára-brisa, fim de linha, chão, doutor
Manhã nublada, café, sapatos, meninada, loja, vassoura, nada, nada, novela e futebol
Luxúria
Na labareda que lambe teu membro erguido
crescente parte faminta de gozo
Escorre a lascívia dos corpos livres
O grito selvagem do rubro desejo
Entre o beijo voluptuoso
Subitamente eflúvios, olores
Palavras devassas, deliciosamente obscenas
O olhar malicioso que me devora
Entregues ao impulso, ao despudor
A natureza se afirma
ao deslizar dos corpos suados
Quando finalmente saciados
saboreiam a brasa que não se apaga
mesmo enfraquecida.
Fuga
Pelas ruas correndo
Veemente desespero
O vento me levava
O fogo me envolvia
Na noite, lua vermelha
Cheiro de tempestade
Os uivos dos vira-latas
O ranger da agonia
Um grito preso no peito
Anseio de liberdade
O mundo não tem paredes
Meus pés não tem raízes